quinta-feira, 25 de julho de 2013

Capítulo 1 / Parte 1

Por: Lívia Stramare

Capítulo UM



Era uma manhã esplendorosa de verão. O sol já estava quente e brilhante, quando Jessica Bradley saiu de casa para ir até os estábulos e acompanhar o trabalho dos empregados do haras de seu pai.
Enquanto caminhava sorridente, cumprimentando um empregado aqui e ali, ela arrumava o chapéu branco, estilo country Stetson, sobre seus cabelos loiros, compridos e cacheados, pensando nos trabalhos a serem realizados, e nem ao menos notava que alguns olhos acompanhavam suas belas pernas, moldadas na sela de um cavalo, em um shorts jeans justo desfiado na barra.
Hoje, para deleite dos funcionários, ela estava com esse shorts, uma bota de couro cano alto, e uma camisa rosa justa sem mangas, amarrada na cintura. Naturalmente, os olhares eram discretos, afinal os empregados mais velhos, aqueles que trabalhavam para o pai de Jess, antes mesmo de ela nascer, estariam de olho para garantir o respeito que a “patroinha” merecia, pois sabiam que por trás de toda aquela beleza, havia também muita competência, determinação e que ela era capaz de domar qualquer cavalo, somente com palavras e atenção, afinal os animais do Haras Bradley eram “encantados” e não domados a força.
Ao chegar aos estábulos, ela ficou satisfeita, as baias já estavam limpas, a comida e a água distribuída, e os cavalos recebiam os mimos merecidos, eram escovados, seus cascos lixados e encerados e alguns estavam tomando seu banho:
- Bom dia, Srta. Jess!
- Bom dia, John! Como estão as coisas hoje?
- Tudo em paz. Mais tarde chegará três éguas para Black Spirit cobrir. Parece até que ele sabe, logo de manhã já deu trabalho aos tratadores. O soltamos no curral leste para ele extravasar o te... – John ficou vermelho, havia esquecido que estava falando com uma dama e sua patroa - ... a adrenalina. 
Jess notou o rubor de John e deu uma risada gostosa, dando um tapinha camarada nas costas do velho senhor. John Watson, o administrador dos estábulos, trabalhava para seu pai a mais de 25 anos e a conhecia desde bebê, e mesmo sabendo que podia tratá-la de igual para igual, não o fazia. Abraçando John pelos ombros deixando-o mais sem graça ainda, ela disse:
- Pode deixar John, eu vou falar com ele. Ele ficará mais calmo até a hora da chegada das éguas, tudo bem?
Black Spirit era um garanhão potente, o melhor e mais premiado puro sangue do país. Sua linhagem vinha de longa data e todos os seus antepassados, assim como seus descendentes, eram campeões e, suas coberturas custavam alguns milhares de dólares que os outros criadores pagavam com prazer. Mas as éguas escolhidas tinham que ser fortes para agüentar sua empolgação sem correr o risco de se machucarem, mesmo todo o processo ser acompanhado de perto por peritos.
Mais vermelho do que nunca o homem discretamente se desvencilhou do braço de Jess e respondeu:
- Se a senhorita diz.
Jess tocou o chapéu, cumprimentando John do jeito que ele costumava fazer com ela e saiu. Passando perto da cesta de maçãs, pegou uma, se dirigiu ao curral onde Black Spirit exercitava-se e assobiou chamando-o perto da cerca. O cavalo relinchou e se aproximou majestoso, balançando sua crina negra e mostrando-se à fêmea.
Jessica estendeu-lhe a mão com a maçã e Black Spirit comeu-a de uma única mordida e ela falou mansamente:
- E aí, garotão, dando trabalho, para todos esses homens metidos a machões? Será que você poderia ficar calminho? Mais tarde você terá belos pares de ancas a seu dispor.
Ela passava a mão no pescoço do animal e como por encanto, ele ia se rendendo, se entregando.
Sem ser visto, John observava-a do estábulo, pensando, que a menina era boa mesmo com os animais.
Jessica levou um susto, quando o celular que estava em seu bolso tocou, assustando também Black Spirit, afastando-se dela.  
            Quem poderia ser uma hora dessas? Pensou ela. As pessoas que tinham seu número jamais ligariam tão cedo. Tirou o celular do bolso do shorts e viu o nome de sua melhor amiga, Mia Thunderheart, escrito na tela.
Jessica empalideceu e titubeou antes de atender, só haveria uma razão para amiga ligar-lhe tão cedo assim:
Sam!
A amiga nunca, nem quando eram crianças, acordava tão cedo. Jessica tinha certeza que a ligação de Mia tinha algo a ver com Samuel Thunderheart, o irmão mais velho de Mia e o grande amor “impossível” de Jessica, pelo menos por enquanto impossível, pensou Jessica. Ela sabia que um dia Sam seria seu, quando a diferença de quinze anos entre eles não pesasse tanto. Talvez como agora, devaneou ela...

E por um instante Jessica voltou no tempo...

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